
Capítulo 7 – O Corpo Jubiloso: Reconectando-se com a Sabedoria da Carne Selvagem
Você já parou para escutar o que seu corpo realmente tem a dizer? Não as vozes da cultura, da moda ou das expectativas alheias, mas a voz profunda e ancestral que pulsa em sua própria carne. No Capítulo 7 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés nos oferece um convite radical e curador: habitar nosso Corpo Jubiloso e honrar nossa Carne Selvagem.
Este capítulo é um manifesto contra as prisões estéticas que aprisionam a alma feminina. É um chamado para abandonar a noção do corpo como um objeto a ser corrigido e abraçá-lo como um ser senciente, um mapa sagrado de nossa jornada, um oráculo da nossa verdade mais profunda.
Vamos mergulhar nos ensinamentos que nos convidam a celebrar o corpo que temos — o único lar que verdadeiramente possuímos nesta vida.
O Corpo como um Oráculo: Escutando Suas Mensagens
Longe de ser um invólucro passivo, o corpo é um sistema de inteligência complexo e vibrante. Ele é o nosso sensor mais primário, registrando cada emoção, memória e instinto. A pele se arrepia, o coração acelera, o estômago se contrai — são todas linguagens da alma se comunicando através da carne. Estés nos lembra que o corpo armazena a nossa história, a de nossas ancestrais e os caminhos para a nossa própria cura.
Assim, na psique instintiva, o corpo é considerado um sensor, uma rede de informações, um mensageiro com uma infinidade de sistemas de comunicação — cardiovascular, respiratório, ósseo, nervoso, vegetativo, bem como o emocional e o intuitivo.
O corpo se lembra, os ossos se lembram, as articulações se lembram. Até mesmo o dedo mínimo se lembra. A memória se aloja em imagens e sensações nas próprias células.
A Fome da Alma: Libertando-se das Prisões da Beleza
A cultura moderna frequentemente nos impõe um ideal de beleza estreito e inatingível, gerando o que Estés chama de mulher faminta. Contudo, essa fome não é por comida, mas por respeito, aceitação e pela permissão de simplesmente ser. Sentir-se inadequada por seu tamanho, forma ou idade é uma agressão direta à Mulher Selvagem, que se deleita na diversidade da natureza. Nosso corpo não é um erro a ser corrigido; ele é a herança de nossos antepassados, uma forma única e perfeita em sua própria existência.
Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo.
A Dança da Mulher-Borboleta: A Beleza em Todas as Formas
Para ilustrar o poder que existe em todos os corpos, Estésnos apresenta o arquétipo de La Mariposa, a Mulher-Borboleta. Ela é descrita como uma figura corpulenta e velha, que dança com uma alegria contagiante, polinizando a terra com sua energia vital. Ela nos ensina que a força, a transformação e a beleza não pertencem exclusivamente à juventude ou a um tipo físico específico. Nosso corpo é um tapete mágico, capaz de nos levar a estados de êxtase e conhecimento, independentemente de sua aparência.
O corpo é como um planeta. Ele é uma terra por si só. Como qualquer paisagem, ele é vulnerável ao excesso de construções, a ser retalhado em lotes, a se ver isolado, esgotado e alijado do seu poder.
A história da Mulher-Borboleta não é um conto de fadas tradicional com um enredo linear, mas sim uma descrição vívida de uma experiência real que Clarissa Pinkola Estés presenciou. Ela se passa em Puyé, um local sagrado no Novo México, onde descendentes de diversas tribos se reúnem para dançar e honrar suas tradições. Turistas e curiosos também frequentam o local, buscando uma conexão que muitas vezes perderam em suas próprias vidas.
O clímax é a Dança da Borboleta, um evento aguardado com grande expectativa. Os turistas, acostumados com a imagem de borboletas como seres delicados e frágeis, esperam uma performance que corresponda a essa ideia.
A quebra da expectativa
Quando a dançarina, Maria Lujan, finalmente aparece, ela subverte completamente essa expectativa. Ela é:
Grande e Corpolenta: Descrita como a Vênus de Willendorf, a Mãe dos Dias, uma mulher heroica. Ela é vasta, forte, e sua presença é imponente.
Velha: “Muito, muito velha, como uma mulher que voltou do pó; velha como um rio velho; velha como os pinheiros nos pontos mais altos das montanhas. Sua idade é uma marca de sabedoria e ancestralidade.”
Cabelos Grisalhos: Seu cabelo é denso e de um cinza de pedra, caindo até o chão.
Asas de Borboleta Simples: Ela usa asas que parecem do tipo que se vê nas crianças que fazem o papel de anjos em peças na escola, ou seja, simples, sem ostentação.
Quadris Largos e Pernas Finas: Sua silhueta lembra uma aranha saltitante envolta numa pamonha, com quadris largos o suficiente para carregar duas crianças.
Maria Lujan não se move como uma bailarina delicada. Ela salta, salta e salta, com passos que ecoam e sacodem o chão, quase como um batucar rítmico. Ela abana seu leque de penas, espalhando um pólen espiritual sobre todos os presentes. Seus acessórios (pulseiras de conchas, ligas com sinos) produzem sons que acompanham sua dança.
Os turistas, surpresos e até decepcionados, não entendem. Eles esperavam delicadeza, juventude, uma beleza convencional. Mas Maria Lujan é a encarnação da Mulher Selvagem/Mulher-Borboleta, que desafia essas noções.
O Poder das Ancas e a Celebração da Totalidade
Cada parte do corpo traz sabedoria. Estés celebra as ancas como berço de sustentação e criatividade. Entretanto, a questão não é a forma ideal, mas a totalidade. O corpo jubiloso é aquele que sente, vibra, ama e pulsa junto à alma selvagem.
Um Convite ao Regozijo
O Corpo Jubiloso não é um destino a ser alcançado após dietas e exercícios; é um estado de ser, uma decisão de habitar plenamente a pele em que vivemos. É honrar sua força, sua sensibilidade, seus ciclos e sua história.
Dance, sinta, honre cada célula. Permita que sua carne selvagem se regozije. Afinal, em seu corpo jubiloso não habita apenas a sua história, mas a força pulsante da própria vida.
Reflexões
Agora, vamos refletir juntas sobre esse capítulo! Sinta-se à vontade para me escrever as respostas, se quiser!
- Onde você sente a alegria ou a dor no corpo?
- Quais padrões tentaram silenciar sua verdade corporal?
- Qual é sua dança única, que poliniza o mundo?
- Ao abraçar suas marcas e formas, você sente-se mais inteira?
Este post faz parte da série do estudo sobre o livro Mulheres Que Correm com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés
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Te espero com carinho para mergulharmos juntas na nossa psique!
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