
🌕 Um caminho feminino guiado por Vasalisa e sua boneca
Toda mulher, em algum momento da vida, se vê caminhando pela floresta.
Não aquela floresta dos filmes, mas a da alma — escura, densa, viva.
Nesse território, não há placas.
Aparecem apenas sinais.
Silêncios.
E a intuição.
É justamente ali, no invisível, que começa a verdadeira iniciação.
No conto de Vasalisa, a Sabida, Clarissa Pinkola Estés nos apresenta sete tarefas simbólicas que toda mulher precisa realizar para despertar sua natureza instintiva. Essas provas não existem para agradar. Pelo contrário, surgem para acender o próprio fogo.
🌑 1. Permitir que a mãe morra
Deixar que a mãe morra é o primeiro trabalho.
Não se trata da morte física, mas da separação da mãe idealizada, da figura protetora que pensa por nós.
“Se quisermos que a intuição volte, temos que nos preparar para a morte da ingenuidade.”
— Clarissa P. Estés
Portanto, é o momento de deixar de pedir permissão para existir.
🧸 2. Aceitar o presente da intuição
A mãe de Vasalisa lhe dá uma bonequinha antes de morrer.
Esse símbolo precioso representa o instinto puro, a voz que sabe — mesmo sem explicações.
Aceitar essa boneca significa reconhecer que há uma bússola viva dentro de nós. Ela só precisa ser alimentada com atenção, verdade e tempo.
🌲 3. Entrar na floresta escura
Vasalisa é enviada à floresta — um gesto que pode parecer cruel, mas é necessário.
Assim também acontece conosco: cada mulher precisa atravessar, em algum momento, o escuro das dúvidas, dos lutos, das perdas e dos abandonos.
“As florestas são lugares onde se busca a verdade. E lá, não há garantias.”
🧙♀️ 4. Encontrar a Baba Yaga
A Velha do bosque é selvagem, sábia e feroz.
Ela não sorri.
Não passa a mão na cabeça.
Exige.
Enxerga além das aparências.
A mulher que encontra a Baba Yaga dentro de si, portanto, começa a deixar de lado a necessidade de ser apenas “boazinha”.
🪡 5. Realizar tarefas impossíveis
Separar milho bom do estragado, limpar a casa, organizar os grãos…
As tarefas dadas por Baba Yaga são metáforas da vida psíquica feminina. É aprender a discernir, a limpar o que nos contamina e a organizar o caos interno.
“Para a mulher, realizar essas tarefas é o mesmo que voltar a ouvir o sussurro da boneca.”
🔥 6. Carregar o fogo na caveira
Ao final, Vasalisa recebe o fogo da Baba Yaga.
Uma caveira com olhos flamejantes.
Ela volta para casa com esse fogo — que não é mais da mãe, nem da velha. É dela.
E com ele, finalmente, queima o que estava escondido.
🪞 7. Queimar o que precisa morrer
Com o fogo da caveira, Vasalisa vê aquilo que antes estava disfarçado.
E o que não pode permanecer, arde.
Essa é a última tarefa: deixar queimar o que não é mais verdadeiro. Papéis sociais, máscaras, relações que sangram.
“O fogo da intuição ilumina… e também queima.”
💌 Se você está passando por alguma dessas tarefas…
…saiba que você não está sozinha.
Estamos todas, em algum nível, alimentando nossas bonecas, enfrentando nossas Baba Yagas e tentando carregar nossas caveiras flamejantes sem queimar as mãos.
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E volte amanhã — vamos seguir juntas, flor por flor, sombra por sombra.
Leia mais sobre o livro: Mulheres Que Correm Com Os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.





Livro
“O Jardim Que Me Habita” é um convite ao florescer da alma.
Com palavras delicadas e íntimas, Claudia Lessa te conduz por uma jornada de sentimentos reais — aqueles que doem, que curam, que transbordam. Cada capítulo é como uma pétala escrita a partir da própria vida: confissões, cartas, orações e sementes de renascimento.
Neste livro, não há promessas de perfeição. Há verdades suaves, silêncios profundos, poesia plantada no cotidiano e a beleza de ser humana com todas as fases do próprio céu interior.
Escrito por uma mulher que ama flores, estrelas e a simplicidade como caminho de cura, O Jardim Que Me Habita é para quem precisa lembrar que ainda há beleza, mesmo nos invernos da alma.
Leia devagar. E deixe que algo floresça em você também.

