
Capítulo 1: La Loba e a Ressurreição da Mulher Selvagem
O conto de La Loba — também conhecida como Mulher-Lobo, La Huesera (Mulher dos Ossos) ou La Trapera (Trapeira) — é uma história ancestral, transmitida oralmente entre povos indígenas e latinos do México e do sudoeste dos Estados Unidos. Clarissa Pinkola Estés apresenta essa figura misteriosa como uma guardiã que habita um lugar oculto, quase sempre encontrado por quem está perdido ou em busca de algo essencial.
A Guardiã dos Ossos
A ocupação principal de La Loba é recolher ossos. Ela percorre desertos e leitos secos de rios em busca de fragmentos, especialmente ossos de lobos. Em sua caverna, guarda esqueletos de muitas criaturas, mas é com os lobos que seu trabalho atinge a plenitude. Assim que reúne um esqueleto completo, acende o fogo, eleva os braços e começa a cantar.
Enquanto sua canção ecoa, os ossos se revestem de carne, o pelo cobre o corpo, e a respiração retorna. O lobo, revivido, salta e corre pelo desfiladeiro. Em algum ponto dessa corrida, ele se transforma em uma mulher que ri e segue livre rumo ao horizonte.
Cantando sobre os Ossos
Esse momento mágico é a personificação da metáfora central do livro: “Cantando sobre os ossos”. Clarissa, como cantadora e analista junguiana, mostra que a vitalidade perdida pode ser restaurada quando reunimos nossas partes fragmentadas.
Assim como La Loba recompõe os esqueletos, cada mulher é chamada a recolher seus pedaços esquecidos, silenciados pela cultura ou pela dor. Dessa forma, a canção simboliza a voz da alma que reconecta, cura e devolve vida ao que parecia perdido.
O Poder do Canto da Alma
O ato de cantar não é apenas um som. É autenticidade, é expressão de verdade. O canto devolve carne (vitalidade), pelo (instinto e proteção), respiração (ânimo e energia) e olhos (consciência e visão). Portanto, é pela verdade que dizemos e pela voz que ousamos usar que a ressurreição acontece.
Transformação e Liberdade
O lobo que se torna mulher livre e risonha é a imagem da Mulher Selvagem restaurada. Ela representa autenticidade, alegria e coragem de viver em conexão com o instinto. Como Clarissa afirma: “É nossa responsabilidade recuperar suas partes”.
La Loba como Arquétipo
La Loba não é apenas uma personagem: é um arquétipo. Ela guarda a sabedoria ancestral do feminino e atravessa culturas com muitos nomes — La Que Sabé, Mãe Nyx, Mulher Aranha. Atemporal, ensina o mistério do ciclo vida-morte-vida: aquilo que parece destruído pode renascer.
Portanto, La Loba simboliza o retorno ao instinto, ao lugar interior onde mito e biologia se encontram. Ela nos lembra que, mesmo quando tudo parece árido, a essência selvagem permanece viva, aguardando ser chamada de volta pelo canto da alma.
🌸 Perguntas para reflexão
- Qual é o seu deserto pessoal hoje? Onde você sente que seus ossos estão dispersos?
- Se fosse La Loba, qual seria a canção que sopraria vida de volta à sua alma?
- Onde você reconhece a presença arquetípica de La Loba em sua cultura, família ou histórias pessoais?
Se quiser me escrever suas respostas, eu vou amar aprender contigo! Obrigada pela leitura! Vamos aprender juntas! Entre em contato:
🌺 Leitura complementar
Se esse conto despertou algo em você, recomendo também o texto: Mulheres que Correm com os Lobos: O Chamado da Mulher Selvagem
Este post faz parte da série do estudo sobre o livro Mulheres Que Correm com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés
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