
O livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés, começa com um chamado arrebatador: todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Contudo, a cultura nos ensinou a sufocar esse desejo, tratando-o como algo vergonhoso.
No Prefácio, a autora apresenta a Mulher Selvagem como uma espécie em risco de extinção. Mesmo perseguida e incompreendida, essa essência instintiva ainda habita cada mulher, à espreita como uma sombra de quatro patas que corre atrás de nós.
Cantando sobre os Ossos: A Introdução
Na Introdução, intitulada Cantando sobre os Ossos, Clarissa aprofunda essa metáfora. Ela compara a destruição da psique feminina ao desmatamento das florestas virgens. Dessa forma, revela como nossos ritmos naturais foram forçados a seguir expectativas externas.
Além disso, estabelece uma poderosa analogia entre lobos e mulheres saudáveis: percepção aguçada, espírito brincalhão, devoção, resistência, coragem e intuição. Tanto lobos quanto mulheres já foram injustamente acusados de serem perigosos ou inferiores, quando, na verdade, carregam uma força vital necessária à sobrevivência.
Escavação Psíquica e o Significado de Selvagem
Clarissa propõe uma escavação psíquico-arqueológica, convidando cada mulher a recuperar sua vitalidade. Em voz ativa, ela afirma que o caminho é restaurar a psique instintiva natural através da incorporação do arquétipo da Mulher Selvagem.
Aqui, “selvagem” não significa estar fora de controle, mas sim viver com integridade, limites saudáveis e conexão com a alma instintiva.
A Mulher Selvagem como Força Vital
A Mulher Selvagem é saúde, paixão, intuição e vida-morte-vida. É a voz que canta em sonhos, protesta contra injustiças e protege a matilha interior. Ela aparece em diferentes culturas com nomes como La Loba, Mulher Aranha e Mãe Nyx.
Por outro lado, o afastamento dessa força gera consequências: cansaço, depressão, vergonha, fúria crônica e sensação de vazio. É nesse ponto que surge a metáfora central: cantar sobre os ossos. Ao usar a voz da alma, podemos trazer de volta à vida talentos, dons e verdades sufocadas.
Histórias como Bálsamos da Alma
Clarissa lembra que histórias são bálsamos medicinais. Mitos, contos e narrativas guardam instruções para a alma e têm o poder de reacender o fogo instintivo. Portanto, ler e refletir sobre essas histórias é um modo de restaurar a Mulher Selvagem que habita em cada uma de nós.
🌸 Perguntas para reflexão:
- Como o anseio pelo selvagem aparece em sua vida?
- Quais características da loba você sente mais presentes em si?
- Como você diferencia o “selvagem” do “fora de controle”?
- O que em sua vida precisa ser “cantado de volta à vida”?
- Qual história já foi um bálsamo em sua jornada?
🌺 Se esse texto tocou algo adormecido em você, talvez queira compartilhar suas reflexões, então conta pra mim que eu vou gostar muito de aprender contigo, aguardo seu contato!

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